domingo, 27 de julho de 2008

Uma Jornada Espiritual e Sorvete de Flocos

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Sabe quando você sente que há alguma coisa faltando na sua vida? Acordei assim ontem. Uma sensação estranha, meio que um vazio existencial, um pequeno pensamento que ia se alastrando naqueles momentos de silêncio, sussurrando que eu precisava de algo mais. Eu tinha certeza que o que faltava era uma loira com medidas estratosféricas, mas um amigo meu disse pelo MSN que eu precisava mesmo era de espiritualidade.

Cara, sempre me confundo ao lidar com esses conceitos abstratos. Espiritualidade, amor, solidariedade, o Acre, filmes bons do Eddie Murphy etc. Nunca entendo o que as pessoas querem dizer com essas coisas. Pra entender o que significa, tive que contactar o Oráculo e perguntar que diabo seria espiritualidade.

Segundo pude averiguar, espiritualidade é a capacidade de entrar em sintonia com Deus. Podem me chamar de modernoso demais, mas nunca ouvi muito rádio: ouvir uma voz saindo de uma caixa não me parece sadio, principalmente com a quantidade exagerada de músicas desagradáveis e propaganda. Além do mais, Deus gosta de ser misterioso e nunca revela se é AM ou FM, é meio que nem o orkut era: só pode entrar em sintonia com Deus alguém que for convidado por um cara que já saiba a frequência certa.

Em todo caso, resolvi aceitar a proposta de meu amigo sobre essa tal de espiritualidade e lhe perguntei onde eu podia comprar isso e se estudante paga meia. Aliás, que coisas fantásticas são as carteiras de estudante, né? Você se compromete a sentar a bunda em uma cadeira e fingir que está tentando aprender algo e o governo faz os outros cobrarem menos de você. É meio que a função do governo ultimamente, não? Gastar o dinheiro dos outros pra dar coisas de graça a grupos específicos. Não que isso venha ao caso.

Voltando ao assunto, meu amigo então me disse que algumas igrejas por aí vendiam espiritualidade por 10% do meu salário, mas que religiões sérias não te prometeriam isso, mas sim uma orientação sobre como alcançar a espiritualidade através de uma jornada de auto-descoberta e entendimento da realidade. Confesso que a primeira classe me atraiu bastante, afinal 10% do meu salário nulo é uma contribuição que cabe no meu bolso, mas meu amigo demorou muito explicando tudo isso e nesse meio tempo eu já decidi que o que estava faltando em minha vida era mesmo um bom sorvete de flocos.

Deus, desculpaí, mas vou entrar em sintonia com minha diabetes primeiro, ok?

3 comentários. Viva!

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