domingo, 25 de janeiro de 2009

Smoking And Mirrors

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Casamentos são incompreensíveis pra mim. Não me refiro à instituição do casamento, até entendo essa: tem um ponto na vida em que uma mulher te enche tanto o saco que colocar uma aliança no dedo dela é o modo mais rápido de fazê-la calar a boca (não sou adepto da violência, ok?). Não me dou bem é com as cerimônias de casamento, principalmente quando sou padrinho.

É, é, alguém já foi emocionalmente instável o suficiente para me chamar para ser padrinho, o que só prova que estou falhando em demonstrar o desprezo que possuo pela maioria das pessoas. Mas isso não vem ao caso.

Voltando às cerimônias de casamento. Depois de sete anos de namoro, dois anos morando juntos e oito anos de relações carnais sem fins reprodutivos, você decide casar com ela. Para isso, você precisa ir numa igreja (tenha cuidado se for a Renascer), ouvir um sermão de um cara que nem te conhece (apesar de, na teoria, você visitá-lo no trabalho toda semana) e prometer que sempre pagará o dízimo direitinho. Tudo isso com uma roupa capaz de fazer uma pedra suar.

Depois da cerimônia religiosa* (e da desidratação resultante), você ainda tem que pagar um jantar para um bando de pessoas que ou você não conhece (parentes da noiva) ou te odeiam (parentes seus e pais da noiva), só para todo mundo encher a cara, reparar nas roupas alheias e sobre como estava mal servido aquele queijo da mesa de frios, cujo nome você nem consegue pronunciar.

Mas você não liga, casamento é casamento e, mesmo entrando no cheque especial e descobrindo que seu primo não se curou verdadeiramente do alcoolismo, é um momento de felicidade; ou pelo menos é o que querem que você acredite.

Agora me diz, meu amigo, o que você ganha com isso, além dos presentes, do aval de Deus para fazer sexo com sua mulher e de um álbum de fotos das quais você se envergonhará daqui a cinco anos?

É como diz o poeta (ou deveria ter dito): o casamento é uma ilusão e as cerimônias de casamento são uma ilusão maior ainda. Pode acreditar, minha gente, pode acreditar.

*Só para deixar claro, nem considero casamento civil como uma cerimônia, afinal o que uma caneta Bic uniu um advogado separa em meia hora (e levando metade dos seus bens com ele).

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