13 de agosto de 2011
De Assuntos, Conversas e Vampiros
Quantas histórias você tem? Sabe, aquelas histórias pra contar no bar, na roda de amigos, aquelas histórias que você conta esperando que todos riam e que todos escutam esperando a vez de contar a própria história engraçada? Então.
Acho que não tenho muitas delas.
Bom, não quero parecer uma pessoa desinteressante. Já me aconteceram várias coisas engraçadas e algumas delas até são verdadeiras, mas, seilá, na hora de conversar com as pessoas, no meio dos amigos, tomando uma cerveja e falando mal dos outros, minha memória é uma droga. Não consigo pensar em nada. Minha cabeça fica tão vazia quanto minha conta bancária e aquele silêncio constrangedor começa a lentamente cair sobre a mesa.
Tenho uma grande dificuldade de encontrar assuntos pra conversar.
Não porque eu não tenha assuntos. Já assisti um monte de filmes, já ouvi uma quantidade considerável de músicas, assisto séries diariamente e leio alguns livros. Tenho opiniões sobre uma grande quantidade de assuntos, mesmo que sejam opiniões estúpidas e geralmente sem embasamento. Consigo manter uma boa conversa depois que os outros puxam algum tema. Tenho assuntos. Mas parece que, seilá, existe um grande abismo entre minha gama de interesses e a das outras pessoas.
É tipo aquele filme pra meninas adolescente lá: Crepúsculo. Não sei direito como são as coisas no livro/filme, mas pelo que sei é uma história de amor entre uma menina adolescente e um vampiro de um século de idade. Muita gente geralmente implica dizendo que a série emboloiou os vampiros, um ponto do qual sempre discordei porque sempre achei vampiros bem emboiolados de qualquer modo (não que tenha algo de errado com isso).
Meu problema com Crepúsculo sempre foi outro: a pedofilia relativa.
Veja bem, o vampiro tem 100 anos de idade e pega essa menina adolescente. Mesmo que a gente considere que a adolescência dure até os trinta anos (o que é bem verdade hoje), eles têm aí uns bons 70 anos de diferença. Agora me diz: do que esse casal fala? Quais os interesses em comum entre uma adolescente de 15 anos e um chupador de sangue de um século?
Um cara de 100 anos tem histórias. Ele viu eventos históricos, ouviu as primeiras gravações do gramofone, assistiu o lançamento do primeiro filme do Eddie Murphy. Agora imagina só uma conversa entre os dois. A menina falando sobre a nova temporada de Malhação e o vampirão desejando enfiar uma estaca no peito. O velhote contando uma história e a menina falando “afff, você já me contou essa história umas mil vezes, parece minha vó”. A menina falando sobre o novo filme do Crepúsculo e o vampiro de 100 anos dizendo “puta merda, no meu tempo vampiros dos filmes eram mais machos, é tudo deturpado hoje em dia”.
Se eu mal consigo achar assuntos em comum pra falar com as pessoas da minha idade, olha lá falar com alguém 80 anos mais velho!
Tá, eu entendo que relacionamentos com diferença de idade podem funcionar e geralmente acham um assunto que quase todo mundo tem em comum: sexo. Mas parece que não é o caso de Crepúsculo e, cara, essa menina adolescente nem deve ter menstruado ainda, senão teria que, seilá, usar um absorvente sabor alho para evitar que o vampirinho fique doidão naqueles dias.
Talvez seja só eu, mas tem algo de errado quando um casal com 70 anos de diferença consegue achar um assunto pra conversar e eu fico aqui com dificuldades pra conversar com os amigos da minha sala.


