16 de agosto de 2011
Reality Show
Me considero um cara corajoso. Praticamente não tenho medo de nada, exceto algumas fobias normais como de velociraptors, pterodátilos, escuro, lugares fechados, lugares abertos, telefones, carros, estupradores, gatos, policiais, bandidos, a natureza em geral, altura, meteoros, combustão espontânea, terremotos, tsunamis e a chance de acidentalmente assistir um filme do Eddie Murphy. Tirando essas pequenas coisas, praticamente não tenho medo de nada.
Um pequeno medo que cultivo no meu íntimo todos os dias vem crescendo cada vez mais ultimamente: o pavor de que a realidade não existe.
Tipo, eu existo. Eu sei que existo. Não posso inexistir. Seria uma perda muito grande pro universo eu não existir. Sou muito importante pra não existir. Sou muito egocêntrico pra não existir. Tem vinte e dois anos que levo minha vida só pensando em mim e será uma frustração muito grande se eu acabar descobrindo que perdi meu tempo com algo imaginário.
Eu existo, não tenho dúvida. Só não sei se você existe.
Muitas obras culturais já nos mostraram que a nossa percepção da realidade é uma droga. Uma Mente Brilhante, Clube da Luta, Matrix, Inception: tudo filme que conta a história de um cara com problemas mentais que alucina tudo o que acontece. Uma Mente Brilhante: o cara imagina um monte de gente e uma conspiração. Clube da Luta: o cara imagina o Brad Pitt (meio gay se você pensar). Matrix: o cara imagina que existem efeitos especiais. Inception: eu imagino que entendi tudo que aconteceu nas três horas de filme.
Resumindo: posso estar alucinando.
Eu sei que existo, mas não sei mais nada. Este blog, este computador, essa cada, essa cidade, tudo isso à minha volta pode ser fruto da minha imaginação. Você, seus comentários, a gostosa do 903. Tudo pode ser mentira. E se a realidade e mais nada não existe, eu paguei caro demais naquela coxinha de hoje de manhã.
E se a realidade que eu percebo for uma manipulação? Pode ser tudo um plano malévolo de um grande vilão, que construiu esse mundo imaginário e me botou aqui dentro. Pode ser que vocês, que provavelmente vão comentar dizendo “deixa de besteiras Hugo”, são arautos desse vilão e estejam tentando me impedir de chegar na verdade. Ou posso ser só um personagem de um jogo de outras pessoas de verdade.

Pior ainda: algumas coisas podem existir. Talvez eu alucine uma parte do mundo e outra parte realmente seja verdadeira. Talvez vocês são de verdade, mas eu imagine que fiz coisas que não fiz e esqueça totalmente coisas que fiz.
Ou talvez a realidade exista, minha percepção seja perfeita e eu ainda tenha louça pra lavar.
Pffff, mas quais as chances disso, né?

