quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Não Me Envergonho da Medicina-UEL

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A UEL (Universidade Estadual de Londrina), no Paraná, anunciou nesta terça-feira que 14 alunos do curso de medicina estão impedidos de se formar. A suspensão ocorre após um grupo de cerca de 40 formandos ter invadido, no último dia 20 de novembro, o pronto-socorro do Hospital Universitário, localizado dentro do campus.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u477233.shtml

Não tenho vergonha de fazer medicina na UEL e nem tenho motivo para isso. As cagadas não foram minhas, pelo menos dessa vez. E isso vindo de um cara que já dormiu no ônibus e acabou no meio do Acre, sem dinheiro, comida ou barrinha de cereal sabor cereja. Posso ter feito muita merda na vida, mas fazer baderna em um hospital ainda não tá no meu currículo. Minha consciência está, portanto, tão limpa quanto minha conta bancária.

Tampouco culpo os alunos do sexto ano e sua burrice excepcional. Primeiro porque o reitor já tá desesperado para fazer isso. Tá com sangue nos óio. Nenhum reitor gosta de parecer ineficaz, mesmo quando é totalmente ineficaz (não estou afirmando isso sobre nosso caro e nobre reitor, claro).

Tenho certeza que aqueles caras são bons alunos, bons médicos, boas pessoas e talvez até sejam bom jogadores de buraco, mas fizeram bobagem, esqueceram os limites, não honraram as esperanças que a sociedade (e o contribuinte) depositam em nós e nem mesmo conseguiram abafar os fatos com subornos e assassinatos, que é o modo mais socialmente aceito de resolver problemas, como qualquer político poderia facilmente demonstrar.

Cada um de nós tem direito a um momento de atitudes completamente idiotas e eles usaram o seu, de um modo infeliz, infelizmente.

Alguém me disse, porém, que a situação dos internos, alunos de quinto e sexto ano, é horrível. São explorados e mal tratados. Nesse contexto, a comemoração seria um desabafo dos abusos que os internos sofrem.

Mais uma vez, eu digo: burrice.

Manifestar-se soltando rojões dentro de um hospital só supera o fato de, há dois mil anos atrás, um povo pregar um cara num pedaço de madeira só porque ele queria que as pessoas gostassem mais umas das outras. Existem formas melhores de expressar uma opinião e, apesar de algumas involverem aparecer rede nacional como aconteceu, estou certo que os alunos do sexto ano conseguiram escolher a forma de manifestação ideal para chamar atenção do modo mais especialmente errado e prejudicial.

Entrarei em meu segundo ano na Medicina UEL. Não tenho vergonha ou culpa, principalmente porque também não tenho ilusões: nós, alunos de medicina, também somos burros, gente, somos muito burros. Arrogantes, burros e meio lesados de vez em quando, mas em geral boa gente, viu, boa gente.

Mais uma vez, a imagem de muitos pagará pela burrice de poucos. Que bom que ninguém aqui fez medicina pela imagem, certo?

4 comentários. Viva!

  • Também não tenho vergonha nenhuma da medicina-UEL. Mas ainda estou indignado com aqueles que se aproveiraram da “burrice” dos formandos para atiraram pedras no curso e nos estudantes. É nessas horas que se aproveitam para citar as já famosas frases contra a gente: “porque estudante de medicina são todos uns playboyzinhos…”. Ahaaam. Estão tratando os 500 alunos do curso como culpados e não apenas aquele grupo. E mesmo assim, quem é que nunca fez uma cagada?? Quem é que nunca entrou no hospital gritando e soltando rojões??

  • O cara rala pra caramba e quando se forma faz uma merda dessas, se lascando e queimando o filme dos colegas de curso. Imcompreensível cara.

  • a primeira valiação um tanto pé no chão vinda da UEl sobre o fato.

  • Eu faço matemática e posso dizer: tbm não sou nem um pouco normal, todavia, não saio por aí soltando rojões nas sala de aula.

    Como sempre o sensato sr. Hugo. Adora quando você fala do cara que foi pregado em um pedaço de madeira.

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