segunda-feira, 10 de maio de 2010
Minha Mãe, Cartões de Crédito e a Danielle Winits
para os comentários...
Minha mãe é uma pessoa inteligente. Ela fez duas faculdades, consegue resolver cruzadas no nível difícil e teve toda a sensatez e sapiência de me trazer ao mundo (o que pode não ter tido consequências particularmente boas, mas achei uma ótima idéia). Ela não consegue resolver a Hipótese de Riemann, mas ainda assim tem um Q.I. considerável.
Uma das maiores utilidades da Hipótese de Riemann
Minha mãe, porém, eventualmente comete um ou outro ato que muita gente consideraria como “um tanto inconsequente”, “deveras questionável” ou “pura estupidez“, dependendo do nível de eufemismo da pessoa pra quem você pergunta. Mas, bom, fazer besteiras aqui e ali é praticamente a definição de ser humano na Enciclopédia Barsa Wikipédia.
Exemplos dos erros da progenitora incluem ela ter jogado minha calça da sorte fora, nunca ter comprado uma retroescavadeira e ter criado uma conta conjunta comigo, todas atitudes que, de um jeito ou de outro, levaram a um grande prejuízo para a sua existência.
A coisa repreensível mais recente que ela fez foi ter mostrado seu cartão de crédito a um desses atendentes de editoras em troca de um exemplar “grátis” de uma revista qualquer.
É, eu sei, foi um erro. Minha mãe esqueceu por um momento da regra básica. Só tem uma situação em que você pode mostrar seu cartão de crédito para alguém: o casamento. Isso só porque teu cônjuge assinou um boa papelada que lhe dá permissão a se infiltrar em todos os aspectos da sua vida. E ainda assim você não mostra o cartão platinum, só por via das dúvidas.
Mas a mulher que me pariu não lembrou dessa máxima e agora tem uma assinatura duma daquelas revistas sobre celebridades.
Eu não gosto muito desse tipo de revista, sabe. Não acho o assunto interessante, as fotos e propagandas são 2/3 de tudo e mesmo o texto que existe só fala babaquices como “a atriz tal está gravidíssima”. Numa dessas revistas da minha mãe, por exemplo, apareceu uma matéria sobre como um monte de explosivos da II Guerra foi encontrada PERTO da casa de campo do George Clooney, que não tinha nada a ver com os explosivos e nem estava na casa quando eles foram encontrados.
Por mais que eu ache a idéia de encontrar explosivos da II Guerra muito empolgante, alguém pode me dizer como essa matéria tem alguma relação com a minha vida? Alguém pode me dizer como a matéria tem alguma relação com a vida do próprio George Clooney? As bombas estavam perto da casa de muita gente, não só dele. Ele nem viu as dinamites.
Esse é meu problema com revistas de famosos: as notícias acontecem com todo mundo, são banais. Todo mundo fica grávido, todo mundo faz um novo penteado, todo mundo vai em festas, todo mundo passa o fim de semana no castelo de Caras. Mas essas merdas só viram notícia porque os caras são famosos, tão na mídia, tem um milhão de fotógrafos correndo atrás deles o dia todo.
Ou seja, no fim as notícias não tem novidade nenhuma.
Mesmo não gostando da coisa, entendo que haja quem goste, sabe. Minha mãe mesmo até resolveu manter a assinatura da revista. E o que os chatos mesmo não são as pessoas que gostam de saber da vida das celebridades, mas os babacas que adoram recorrer ao maravilhoso argumento da futilidade:
Ah, o quê, Hugo? Você vai defender essas revistas de fofoca? Vai dizer que isso é útil pra alguém? Coisa mais fútil! Que importância tem o casamento da Déborah Secco?”
Cara, para com isso. Odeio essa balela de “importância”. É a mesma reação que muita gente tem quando vê que eu tenho twitter: “issae não serve pra nada, Hugo!”. Parece que as pessoas esquecem da maior utilidade de todas na vida, a diversão.
Séries não servem pra nada, filmes não servem pra nada, sexo não serve pra porcaria nenhuma, exceto pra coisa mais importante de todas: te divertir. Isso é o que importa, cara! Futilidade é um conceito babaca porque, do mesmo jeito que o que me diverte não te diverte, o que é fútil pra mim é essencial para você.
Então, por mais que eu ache que tudo que me importa sobre a Danielle Winits já saiu na Playboy umas três vezes, eu entendo que há gente aí fora que se divirta e se entretenha em saber o porquê dela ter se separado de seilá quem com quem ela era casada. Direito deles, amigo!
É como disse Bob Dylan certa vez: um homem é bem sucedido se ele acorda de manhã e vai pra cama à noite; no meio disso, ele pode fazer a merda que bem entender, mano.
Bom, não exatamente com essas palavras, claro.


3 comentários. Viva!
11 de maio de 2010 às 22:03
O Bob Dylan disse isso mesmo?!
12 de maio de 2010 às 7:10
Não tenho nenhuma prova documentada, timbrada, com três cópias autenticadas no cartório, mas, segundo me consta, ele disse sim.
Em todo caso, isso não é importante.
12 de maio de 2010 às 22:21
“a atriz tal está gravidíssima”
essa frase valeu meu dia.
p.s.: e eu já ia te corrigir, falando que é ILHA de Caras, mas não é que tem um tal de Castelo de Caras?
gente, tô passada.
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