segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Em favor dos domingos
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Certa vez, um amigo disse-me que a maior taxa de suicídios no Brasil era no domingo à noite, lá pelo começo do Fantástico. Obviamente tal fato era relacionado com a segunda-feira que despontava no horizonte e não com o Fantástico em si. Se bem que atualmente o Fantástico me dá vontade de dar um tiro na cabeça, em vista da quantidade incontável de besteiras veiculadas na “nossa revista eletrônica semanal”, mas isso não vem ao caso.
Não sei de que pesquisa meu amigo tirou essa informação, ou mesmo se aquele dado não é uma pura invenção de algum anti-dominguista convicto. Achei interessante, porém, o fato daquela informação, verdadeira ou não, indicar como a grande maioria dos brasileiros odeia a segunda-feira. Ou melhor, odeia o domingo, pelo gostinho amargo de prenúncio de segunda-feira.
É a famosa “deprê do Fantástico”. Bom, não posso dizer que é famosa, pois acabei de criar o termo, mas que existe, isso é fato comprovado. É só o Zeca Camargo aparecer na telinha em mais uma de suas viagens e o Bial começar a recitar suas crônicas que as pessoas logo dão aquele gemido desanimado e preparam a corda.
Eu, sinceramente, vejo o domingo como um dia maravilhoso. Um dia em que ligar a tevê significa morte cerebral instantânea (não que seja exclusividade do domingo), um dia em que o tempo parece extender-se indefinidadente, um dia em que o almoço não tem hora para começar ou terminar. Sou sim defensor dos domingos!
Há um não-sei-o-quê diferente, uma lentidão alongando-se pelo ar, uma sensação leve de descompromisso. E que venha a segunda! Pois é só o começo! Não há razão pra importar-se com domingos, são dias comuns, estranhamente comuns e são esses dias em que a vida começa.
E que modo melhor de começar senão lendo um bom livro ao entardecer, sentado em uma cadeira confortável na rua, enquanto a vovó gasta quantidades obscenas de água para lavar a calçada?

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