domingo, 21 de agosto de 2011
É Foda Ser Minoria
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Não acompanho mais novelas. Já teve um tempo que assisti uma ou outra novela (Kubanacan, a melhor novela já escrita), mas hoje em dia não me dou a trabalho de ligar a tevê pra qualquer outra coisa que não para quebrar o silêncio enquanto fico na internet. Meu maior problema com as novelas é um só: quando penso em novelas, penso na minha vó.
Peraí, eu gosto da minha vó. Minha vó me dá dinheiro, minha vó faz esfihas e merece respeito qualquer pessoa que colaborou com a minha chegada nesse mundo (um evento que todos concordam que era necessário). Só que quando penso em novelas de tevê, a imagem que me vem à mente é a minha vó fazendo crochê.
Minha vó assiste várias novelas (“uma deturpação essa novela”, diz sobre todas), sempre com o olho no crochê e dando uma olhada eventual pra tevê. Pra mim, novela sempre foi isso: uma coisa que você pode assistir sem tirar os olhos do crochê. Não que eu faça crochê, mas você entendeu. Não precisa muito esforço pra acompanhar, não precisa muito esforço pra entender. E, tá, nada contra quem assista e é até legal acompanhar uma ou outra, mas não é mais pra mim.
Não me divirto mais vendo novelas.
E isso é só uma das formas de entretenimento que não me agradam. Novelas, futebol, filmes do Eddie Murphy são só alguns exemplos de coisas com as quais as pessoas costumam se divertir e que me causam uma reação que varia levemente entre a indiferença e a vontade de enfiar a cabeça numa poça de ácido sulfúrico com gosto de chorume.
Na verdade, atualmente não são muitas as coisas com que me divirto. Minha faculdade não entra tecnicamente no campo “diversão”, apesar de eu gostar da bagaça. Assisto várias séries, gosto de escutar umas músicas, jogo videogame e de vez em quando consumo algumas quantidades consideráveis de álcool.
Ah, e gosto de cinema.
Veja bem, eu disse que gosto de cinema. Não quer dizer que eu entenda de cinema ou saiba o que alguém quer dizer com “muito original a fotografia do novo filme dos irmãos Coen”. Gosto de ir no cinema nos fins de semana, só isso.
Aprecio a experiência inteira: conferir o horário na internet, olhar os pôsteres dos outros filmes, comprar o ingresso, comprar um quilo de pipoca (pra comer tudo nos trailers), escolher a poltrona mais acusticamente bem localizada, ofender aquela criança que não para no poltrona, ofender aqueles adolescentes que ficam jogando pipoca nos outros, lembrar porque você odeia a humanidade, prometer a si mesmo que você nunca mais volta num cinema, gostar do filme e sair falando no filme que vai estrear na próxima semana.
Eu gosto de cinema e, quando digo isso, é cinema mesmo, o lugar, a empresa, a coisa física.
Mas ultimamente tá foda.
Olha só, gente babaca é parte da experiência. Pessoas falando, levantando no meio do filme, brigando e rolando pelo chão? Ok, dá pra aguentar. Ter gente babaca no cinema é inevitável: tem gente babaca na vida. O difícil é não querer ir no cinema.
Nas últimas duas semanas, metade dos filmes que eu queria ver não estrearam aqui e a metade que estreou só tinha exibições dubladas. E AINDA TEM AQUELA PORRA DE TRESDÊ. E eu entendo. É compreensível que o tresdê seja interessante pro cinema, afinal é mais caro. Eu sei que a maioria do povo ainda prefere filmes dublados (e se eu não soubesse inglês, talvez até eu preferisse).
O dinheiro é que manda nos cinemas e eu sei que a maioria dos pagantes vai continuar indo no cinema seja o filme dublado e em tresdê, mesmo que eu ache essas duas coisas uma combinação tão terrível quanto, seilá, um crossover da Turma do Didi com Zorra Total.
Entender tudo isso é fácil. Difícil é não fazer uma das poucas coisas que gosto porque a maioria da população difere do meu gosto.
É foda ser minoria, viu.

2 comentários. Viva!
23 de agosto de 2011 às 17:48
3d é mó chatice mesmo. Pra quem já usa óculos é uma meleca.
Mas quando o Capitão América jogou o escudo na minha cara eu me abaixei.
23 de agosto de 2011 às 17:51
O tresdê é legal algumas vezes, Rodrigo, mas na grande maioria dos filmes não serve pra nada que não aumentar o preço do ingresso, né.
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