domingo, 22 de março de 2009
Da Alienação e Outro Bando de Coisas
para os comentários...
Eu tenho um blog. Isso é algo bem óbvio, a não ser que você seja um desses chatos descartianos que acha que a realidade não existe e que, portanto, meu blog não existe e nem vale a pena comprar aquele DVD do Daniel. Tá, concordo que não vale a pena comprar o DVD do Daniel em nenhuma circunstância, mas esse não é meu ponto.
O caso é que tenho um blog e isso é a prova mais simples e verdadeira de que adoro dar minha opinião sobre tudo, mesmo sem possuir qualquer embasamento, conhecimento ou mesmo que não consiga reconhecer o tema se ele passar dançando mambo de tanguinha na minha frente. É fato: minha incapacidade física de manter a boca fechada é proporcional à minha incapacidade física de correr por mais de quatro metros ou ler um conto da Clarice Lispector. Não dá, simplesmente meu corpo não resiste e meu intestino começa a tentar sair do abdômen e me estrangular só para que eu não continue.
Isso geralmente me coloca em problemas, como aquela vez da pergunta “Você acha que estou gorda?” ou aquele caso com os traficantes colombianos. Na maioria das vezes escapo sem maiores danos físicos, seja fingindo uma convulsão, seja mudando o assunto para o clima.
Com o tempo, porém, desenvolvi um sistema pra identificar frases que prenunciam um diálogo que provavelmente acabará comigo ofendendo a mãe de alguém e clamando pra confronto físico. Criei uma lista.
TOP 7 Frases que Prenunciam Um Diálogo Que Provavelmente Acabará Comigo Ofendendo a Mãe de Alguém e Clamando por Confronto Físico.
1. Viu aquele filme do Eddie Murphy?
2. Isso é inveja.
3. Comassim você não gosta de Legião Urbana?
5. Qualquer frase que traga ouça seu coração/horóscopo/pensamento positivo/bobagens new age.
6. Mas é a minha opinião!
7. Isso é alienação!
7. {insira aqui qualquer coisa sobre “meus sentimentos/”}
Normalmente consigo escapar das conversas assim que essas frases aparecem, mas vez ou outra acabo preso, principalmente no caso da alienação, que é um assunto que se insere no meio de outros assuntos, meios sorrateiro, sem você perceber.
Ser alienado é não ver o Jornal Nacional? Não assinar a Folha de São Paulo ou a Caros Esquerdistas Amigos? Tá, então sou alienado. Whatever. Qual o problema em ser alienado, afinal? Pra mim, alienação é o mesmo que esquecer o mundo externo e se dedicar às coisas que realmente te interessam.
Engraçado que quem clama que o povo não deveria ser alienado, que as pessoas deviam se informar mais sobre política, são justamente as pessoas que gostam de política. É como se eu achasse que todo mundo deveria jogar videogame, sendo que pra mim não é sacrifício nenhum jogar videogame, já que gosto disso.
E eu, invariavelmente acabo entrando nessas discussões com essas pessoas que defendem uma maior atuação política dos outros. Como se todo mundo gostasse de política. Nada é obrigatório, caras, por mais que seja.
Jesus, dai-me paciência pra lidar com essas pessoas.
- Tenho mais o que fazer, rapá.
É, o jeito é continuar fingindo convulsões mesmo.


4 comentários. Viva!
22 de março de 2009 às 16:31
Você precisa do Manifesto Comunista como leitura de cabeceira Hugo.E umas doses de Sociologia ( http://formigueirocomunista.com/2009/03/sociologia-estudo-da-estupidez-coletiva/ ).Você é uma criatura perturbada e neurótica. Oo’shuehsuehushuehsForte Abraço!
22 de março de 2009 às 18:01
Cara, depois de alguns meses (uns seis? ou oito?) lendo seu blog regularmente, eu tô tendo a ligeira impressão que você tem algo contra os filmes do Eddie Murphy, mas não tenho muita certeza.Você tem mesmo, ou é só impressão?
22 de março de 2009 às 20:03
André, não tô dizendo que alienação seja algo bom. Só que, se as pessoas têm direito de assistir filmes do Eddie Murphy, por que não ter o direito de escolher a alienação?
22 de março de 2009 às 20:04
Além do mais, prefiro usar o Manifesto Comunista como calço de mesa.
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