terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

As Injustiças do Big Brother Brasil

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Então tem essa nova edição do Big Brother Brasil, o programa mais odiado que todo mundo assiste. Muita gente falou sobre como a coisa é imbecil, desnecessária, pra pessoas cujos cérebros se equiparam a massinhas de modelar da cor lilás, ou nada original já que está na quadragésima segunda edição. Eu já não sou tão radical. Só considero o tal reality show uma injustiça foda.

Olha só, são uns 14 participantes, certo? Os caras passam três meses trancados em uma casa (bastante confortável, aliás). Se é verdade aquela história de que infinitos macacos trancados em um quarto com computador acabariam escrevendo uma obra de Shakespeare, imagine o que 14 seres humanos poderiam fazer em 90 dias.

14 pessoas construiriam uma bela casa em 90 dias. 14 pessoas fariam uma boa plantação em 90 dias. 14 pessoas criariam uma sociedade altamente organizada em 90 dias. 14 pessoas se formariam em vários cursos por correspondência em 90 dias. Seilá, é provável que os caras conseguissem até escrever uns livros de auto-ajuda ao invés de um Shakespeare.

Tá, pode ser que esses seres humanos não sejam exatamente exemplos de inteligência e que alguns ali não conseguiriam ganhar de macacos num concurso de soletração. Mesmo assim, somando seus QIs, talvez passemos dos dois dígitos, quem sabe. Eles poderiam fazer algo de útil.

As possibilidades são inúmeras e, ainda assim, o que aqueles lá fazem em três meses? Nada. N-A-D-A. No máximo, desenvolvem técnicas de tomar banho sem tirar as roupas, copulam debaixo de cobertores e passam por provas imbecis (como “quem consegue ficar sem ter um pensamento racional pelo maior período de tempo” ou “quem se submete ao melhor merchandising”).

E ganham um milhão de reais por isso. Cara, um milhão de reais pra ficar trancado sem produzir nada além de matéria orgânica e ensaios sensuais pra sites vagabundos.

Isso é muito injusto, meus amigos. Pra eu e você ganharmos um milhão de reais, teríamos que trabalhar desesperadamente, vender alguns órgãos e ainda nos prostituir algumas horas por dia. Esse é meu problema com o Big Brother. Sério, seria muito mais justo se, seilá, eles disputassem o prêmio em uma luta de espadas (ou na lama, no caso das mulheres, né).

Mas, assim, de resto é um programa como todos os outros da tevê brasileira. Ou seja, melhor não assistir.

2 comentários. Viva!

  • A melhor crítica ao BBB que eu já li.

    Touché!

  • Hugo, o meu professor de História costumava dizer que o BBB possui um ingrediente a mais, o confinamento na casa, que gera uma lógica muito estranha. Pense bem, o programa é construído de maneira que, durante três meses, os participantes formem os seus laços afetivos para depois simplesmente ter de trai-los, caso entrem em conflito com os seus próprios interesses. Então, na verdade, o grande atrativo da competição é ver quem consegue mais habilmente transformar a sua relação com o próximo em mercadoria, e ao mesmo tempo dissimular esse processo para o público. O lance é promover a cooperação e o companheirismo entre as pessoas, para mascarar os valores opostos. Por isso que os participantes que formam intrigas e panelinhas de modo explícito dificilmente caem nas graças do público e, quando já ofereceram a sua cota de brigas e barracos de todos os tipos, são logo eliminados. Ficam os que fingem melhor ao encarnar a imagem do herói, do virtuoso, do que não se corrompe jamais; em suma, os que vendem com maior sucesso essa grande mentira.É claro que essa interpretação tem uma radicalidade que eu não sei se viria compartilhar com o meu professor tão rapidamente. Para mim, outros fatores também entramo em jogo. Mas esse raciocínio já nos ajuda a entender algumas coisas ali dentro, né?

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