terça-feira, 23 de março de 2010

Agulhas e Super Sayajins

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Eu faço medicina, sabe. Tô no terceiro ano, gosto muito da parada, tenho o ego inflado o suficiente e  não sinto qualquer forma de empatia por qualquer criatura viva que seja. Em resumo, tenho futuro. Mas não uma boa fama dentro da sala. Principalmente porque minha capacidade de manter minha boca fechada é infinitamente menor que minha capacidade de discordar das coisas em que as pessoas acreditam.

Já briguei por causa de eleições de sala, religião, comissão de formatura e homeopatia. Pessoalmente e através do adorado email de grupo da sala (afinal todo mundo sabe que qualquer coisa, qualquer coisa mesmo vira discussão na internets).  Isso não ajudou muito a construir uma imagem de tolerante, respeitador ou minimamente suportável. Não que não seja verdade, mas, bom, isso não vem ao caso.

Aí a gente teve essa aula de acupuntura.

E, bom, eu não dou a mínima se passo uma imagem de – argh, esse termo é babaca demais – “mente fechada”. Mas o fato é que eu tinha vários motivos pra ir nessa aula. Aliás, eu tinha belos sete motivos pra ir nessa aula.

O primeiro motivo era, claro, rir. O segundo motivo era, claro, rir muito. O terceiro motivo era, claro, tirar fotos. Pra rir mais tarde. O quarto motivo era, claro, fazer pequenas observações sarcásticas a todo instante. O quinto motivo era, claro, ver se algum comentário preconceituoso sobre orientais seria proferido. O sétimo motivo era, claro, rir E fazer pequenas observações sarcásticas se algum comentário preconceituoso sobre orientais fosse proferido.

Isso tudo, porém, não significa que eu ache que acupuntura é uma bobagem. Aliás, pelo pouco que já li, a bagaça funciona pra tirar dor em alguns casos e tem até um mecanismo biológico um pouco explicado por trás. Não dá pra curar a AIDS, mas tem seus usos. O problema não é se funciona ou não.

O problema é a baboseira que te fazem engolir junto com a coisa toda. É que nem aquelas nutricionistas babacas que tentam fazer crianças comerem verduras fazendo uma carinha no alface, como se a idéia de comer um ser vivo sorridente fosse atraente. Não é.

A palestrante de hoje, por exemplo, começou a aula falando sobre como a acupuntura é “uma arte de cura chinesa milenar”. E, porra, cara, eu ODEIO essa balela de sabedoria milenar. Sério, de que adianta ser milenar? Ah, os chineses praticam a acupuntura desde muito antes da medicina tradicional aparecer. GRANDE MERDA.

Os chineses nunca tiveram doenças? Eles viviam até os cem anos antes da medicina tradicional? O aumento da expectativa de vida da sociedade não ocorreu nos últimos sessenta anos? Então, meu amigo, sinto dizer, mas quem faz bem mesmo é a medicina tradicional. Não importa se a homeopatia, a acupuntura, os fitoterápicos ou seja lá o que for sejam usados faz 72 milênios. O que importa é se funciona ou não.

Por milênios acreditaram que o Sol girava em torno da Terra. Sabedoria milenar erra e erra feio.

Mas o pior não é isso, claro. O pior foi ouvir a palestrante dizendo sobre “como a acupuntura funciona”. Esperei eu uma explicação biológica, sensata, baseada em evidências. Escutei eu uma baboseira qualquer sobre como nosso corpo está com um desequilíbrio de elementos (fogo, água, terra, coração!), sobre como as agulhadas harmonizam o yin-yang e sobre como é preciso equilibrar nosso Qi.

É, a mulher realmente usou a palavra Qi. É, acupuntura pode te levar a Super Sayajin nível fucking três, mano.

E é esse tipo de besteira que eu não aguento.

Sabe, quer ser especialidade médica? Quer tratar paciente? Quer receber reconhecimento da comunidade científica? Então faça a porra de um trabalho científico, pelamordobuda.

Quer expor sua área numa faculdade de medicina? Então exponha o bagulho como uma ciência médica! É tão difícil assim?

Agora você quer vir pra cima de mim dizendo que o rim carrega a essência do corpo e comanda o cérebro? Esse tipo de informação exposta não vai cair na minha prova, sabia? Porque é PURA BESTEIRA.

É pura besteira e só me faz perder tempo. Até vou com a cara da acupuntura, mas, amigo, você tem que me ajudar a te ajudar. Eu não posso te respeitar completamente se você vem dizer que a acupuntura equilibra as energias. E eu quero te respeitar, quero mesmo.

Bom, pelo menos ainda foi bom estar lá só pra ouvir falas do tipo “vocês sabem que os orientais são bem observadores, né”. E, pra esse tipo de coisa, a única resposta é aquela dada pelo inigualável Tigre Chino:

13 comentários. Viva!

  • Cara, o senhor é genial.
    Não tô querendo nada, mas você realmente é something else.
    (E tem algum problema com penúltimos números, btw)

  • Eu sou mto observadora. Tanto que observei que a lista de 5 coisas tinha só 4.

    E eu mudei o “Eu” pra “L”, pq tinha gente ficando confusa.

    E era pra Eu ser a 1 a comentar.

  • Hugo Brisolla escreveu:
    24 de março de 2010 às 21:00

    Obrigado pelo “genial”, Max. Não que isso seja novidade pra mim, mas as pessoas geralmente tem dificuldade de perceber how awesome I am.
    E eu não uso penúltimos números porque minha numeróloga recomendou. Tampouco falo números com 4, pago contas que não sejam múltiplas de dois e resolvo equações do segundo grau. Fórmula de Báskara tem uma energia negativa que você nem sabe!

    E, L, você também sabe lutar artes marciais? É boa em ciências exatas? Faz harakiri?

  • Muito bom o texto…assim como a palestra de acupuntura.

    Zuera
    …só a palestra foi boa

  • Aqui na minha faculdade o pessoal brigou com unhas e dentes pra reativar a matéria de homeopatia, esquecida desde os tempos da descoberta da penicilina… pra que?
    pra passar aulas interpretando quadros e falando sobre a energia do corpo… hahah

  • Hugo Brisolla escreveu:
    25 de março de 2010 às 11:13

    E essa porra ainda é reconhecida pelo CFM, Iury. pqp vcs

    E, Allan, vou sair na porrada contigo, mano.

  • Vc sabe que sim.

  • É ridícula essa fetichização do oriente.

  • adóóro essa fetichização do oriente, só me beneficiou até agora.

  • ATÓORON essa fetichização do oriente.

  • Ricardo escreveu:
    10 de abril de 2010 às 1:21

    cara, vc é incrivelmente burro e tapado, hahuauhuha, fadado à estagnação

    realmente tem futuro na medicina, e no limbo kkkkk

  • Hugo Brisolla escreveu:
    10 de abril de 2010 às 10:49

    É o que dizem, Ricardo, é o que dizem.

  • o que é o limbo?

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