quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Abre Mais Um Pouquinho

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Num dia desses tive uma dor de dente. Não sei se algum dia já disse pra vocês, mas tenho um modo todo especial de lidar com problemas: ignoro-os até que outra pessoa os resolva.

Não é preciso dizer que geralmente funciona, afinal a maioria das pessoas adora dizer a alguém como deve se comportar – nem que isso signifique ter que solucionar um problema alheio – e eu nunca tive dificuldade em fingir que estou aprendendo uma lição de alguém mais sábio: meus pais me ensinaram isso direitinho, mesmo que involuntariamente.

É justamente por isso que não suporto dentistas (confesso que as brocas também são pouco atraentes). Eles são os únicos capazes de curar sua dor de dente, vão te dar uma bronca por escovar mal os dente e você ainda pagará por isso. Ou seja, tenho que desembolsar uma boa quantia pra conseguir o que usualmente obtenho de graça: um problema resolvido e uma lição de moral. E, pior, não há modo algum de fugir desses caras.

Taí o problema dessa maldita casta: eles são inevitáveis.

Dá pra trocar sua doméstica pelos seus filhos, seu técnico de tevê pelo seu primo Zeca, seu motorista por você mesmo, dá até pra trocar seu médico pelo Google (apesar de eu, como futuro membro desta classe e desejoso de fortuna, não recomendar tal atitude). Mas para curar aquela dor de dente desgraçada só deitando na maldita cadeira.

Nenhuma pasta de dente 72 horas de proteção vai te ajudar, mesmo que possua micro-partículas de cálcio, fósforo ou coisa parecida. Nenhuma escova de dente com cerdas móveis que alcançam mais fundo, limpador de bochechas ou materiais de ônibus espacial conseguirá evitar que um dia, um fatídico dia como qualquer outro, traga consigo algum problema dentário, cujo tratamento provavelmente é tão doloroso quanto seu preço.

Afinal, não importa como seus dentes são, eles estão errados.

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